Os ODS e as pequenas corrupções são o tema da gestão 2016-17

Tema multidistrital enfatiza o desenvolvimento de um mundo melhor

Rotaractianos dos cinco continentes acreditam num mundo melhor. Jovens que realizam ações de impacto na sociedade e na vida de cada uma das pessoas envolvidas em projetos dos Rotaract Clubs. Mas, às vezes, é preciso olhar para o dia a dia e para as atividades rotineiras para descobrir que podemos fazer muito mais.

Você já furou fila? Estacionou em lugar proibido? Passou no sinal vermelho? As pequenas corrupções estão presentes no dia a dia das pessoas. Por mais banais que possam parecer, é a partir delas que se constroem os grandes crimes que alimentam os noticiários todos os dias.

A partir dessa premissa, a Rotaract Brasil propõe o tema multidistrital desse ano rotário: “17 ODS e as Pequenas Corrupções”. ODS é a sigla dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável que a Organização das Nações Unidas propôs na Agenda 2030, ou seja, um plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade.

O Diretor de Projetos da Rotaract Brasil, André Átila Mendes conversou com a gente e contou todas as novidades sobre o  tema da gestão 2016-17. Confira:

Qual o propósito?

Ações são comandadas por pensamentos e efetivadas nas decisões, ou seja, nas nossas escolhas a todo momento. Acreditamos que podemos impactar de maneira positiva a sociedade ao levantar o debate sobre o tema, propondo ações/projetos que desenvolvam melhores padrões éticos e de cidadania. Além de desenvolver nossos associados no processo, se queremos mudar as nossas comunidades precisamos dar o exemplo não somente no discurso, mas na prática, elevando a nós mesmos. Uma sociedade justa e de paz deve ser nosso propósito!

Como ocorreu a parceria com a ONU?

Rotary e ONU tem caminhos que se cruzam na história. A ideia de fazer uma parceria com a ONU sempre esteve presente no íntimo da Rotaract Brasil há muitos anos.
Isso foi trabalho da atual diretoria de Parcerias Institucionais e vem gestionada a mais de um ano. Em meados de 2015 a Coordenadora da ONU Voluntários Maria Dolores Nunez Galan foi convidada para palestrar na CODIRC do 4470 e em dezembro do mesmo ano parte de nossa equipe foi treinada como multiplicador dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) na sede das Nações Unidas em Brasília. A nossa ideia é propiciar que todos possam ter acesso ao conhecimento para levarmos o entendimento do Desenvolvimento Sustentável aos mais diversos cantos do país.

Como isso vai ser trabalhado pela Rotaract Brasil durante o ano?

É preciso compreender os 17 ODS para compreender melhor o 16º objetivo que será aquele que vamos dar maior ênfase. Para entender melhor este pacto global vamos trabalhar o tripé da sustentabilidade. Nós estamos programando três ondas de vivências do tema. Cada uma dessas ondas representa uma das três dimensões do Desenvolvimento Sustentável, ou seja, a econômica, a ambiental e a social. Cada onda levará aos associados os temas das ODS relacionados a dimensão. São 17 objetivos a serem tratados dentro dessas três ondas até o mês da Semana Mundial de Rotaract em março. Na semana mundial iremos nos focar na “ODS 16 – paz, justiça e Instituições eficazes” para debater com a comunidade sobre o tema das Pequenas Corrupções.

Durante a CONARC também haverá uma grande oportunidade de vivência com o treinamento de multiplicadores das ODS proposto para o evento. Seremos braços nessa meta internacional de um mundo mais sustentável, próspero, justo e de paz.

Não estamos propondo que sejam feitos novos projetos/ações com estes temas, todavia evidenciando que nossos projetos já possuem este caráter. Ou seja já fazemos projetos/ações como sugere este pacto global capitaneado pela ONU. Agora, para uma melhor mensuração e comunicação com o público externo, usaremos a classificação dos 17 ODS.

O público externo tem dificuldade em compreender que fizemos 500 projetos da diretoria de comunidade. Todavia irão compreender melhor se for dito: “Fizemos 500 projetos que fazem parte do pacto global pela sustentabilidade, com o foco em erradicação da Pobreza”.

Como os clubes vão poder vivenciar esse tema?

Seguindo com seus projetos/ações normalmente. Contudo agora podemos classificarmos de acordo com a metodologia dos 17 ODS e de outra banda isso pode nos inspirar a fazer projetos maiores e melhores de acordo com este pacto global pela sustentabilidade do mundo até 2030.

Iremos ser também parte do braço de voluntariado da ONU, ou seja, nossos associados terão a oportunidade de treinarem e serem certificados como multiplicadores dos ODS da ONU, este treinamento será realizado na CONARC 2017. Propomos que os multiplicadores treinados na CONARC também sejam multiplicadores em seus distritos e nas comunidades, através de fóruns e visitas a escolas e instituições de ensino, construindo pontes e formando parcerias locais para sermos porta vozes do tema em nossas cidades. Vamos empoderar nossos associados para que eles empoderem suas comunidades.

Por que as pequenas corrupções estão em evidência?

Segundo os números da ONG Transparência Internacional (2012) o Brasil possui altos índices de corrupção. Os cálculos apontam índices que vão de 0 a 10, dos mais honestos aos mais corruptos, nosso país ocupa a 73ª posição no ranking e tem uma nota de 3,8. Esta nota é incompatível com o futuro que queremos para o nosso país que, mesmo com o crescimento econômico pós redemocratização, com a diminuição das desigualdades, estabilidade econômica e a melhoria de outros fatores sociais, ainda a máquina pública, os negócios sofrem com estas amarras da corrupção e as relações humanas sofrem com esta doença moral. Estima-se que todos os anos cerca de R$ 1 trilhão, o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina, é desperdiçado no Brasil com corrupção.

Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem elevado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento. Todos estes problemas são filhos de um mesmo processo e entram em um círculo vicioso quando não são estimuladas a participação cidadã e a fiscalização por parte de todos os cidadãos. Quando processos corruptos e ilegais entram para a normalidade e são um dos meios vistos para se alcançar status social, precisamos debater e colocar a mão na massa para transformar essa realidade.

Debater corrupção no Brasil é sempre um desafio, pois ela não é um problema possível de ser identificado facilmente, a ilegalidade trabalha por debaixo dos panos, é feita para não ser percebida, atinge todas as classes sociais e setores, sejam público ou privado. Nas jornadas de 2013, por exemplo, quando milhões de pessoas foram às ruas pedindo o fim da corrupção, saúde e educação era fato que o grito não traduzia ações reais, ou seja, todos são contra a corrupção, mas quais as ferramentas democráticas e sociais possíveis de serem utilizadas para melhorar os números e mudar esta cultura?

A Rotaract Brasil, entendendo isso, propõe fazer este enfrentamento com base em estudos e com apoio de setores da sociedade, desta maneira queremos impactar crianças, jovens e adultos. Sabemos que acabar com a corrupção no país é utopia, afinal em todas as sociedades humanas ela existe, mas também sabemos que é possível diminuir índices e, desta maneira, melhorar a vida das pessoas, aumentar a disponibilidade de verba para investimentos públicos e desafogar esta engrenagem social que sofre com estes altos índices de corrupção no país. Mudamos estes processos mudando atitudes, faremos isso através da educação e do debate público.

Qual são os canais para os clubes saberem mais sobre o assunto?

Os clubes poderão saber mais sobre o assunto via hangouts, pelos seus Representantes Distritais e Equipe de Projetos, bem como pelos canais de comunicação da Rotaract Brasil.

 

Entrevista realizada por Patricia Kuhn – Gerência de Jornalismo da Rotaract Brasil

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