Vamos falar sobre Polio?

Hoje o papo é sério. Porque para falar sobre poliomielite, precisamos saber o que realmente é a poliomielite!

E convenhamos, de fake news a internet já está cheia…

Não queremos fazer parte disso!

Falando em fake news, algumas que são recorrentes nas mídias: a vacina da pólio mata? É ela a causa dos casos mais recentes da doença?

NÃO!!!

Checamos essas informações com um especialista no assunto: Leonardo Weissmann, Infectologista, Assessor da Presidência da Sociedade Brasileira de Infectologia, rotariano e inclusive já foi rotaractiano. Ele nos tirou várias dúvidas e nos passou informações sobre a Pólio.

Confira o nosso papo com o Léo!

– O que é poliomielite? Qual a origem da doença? 

Poliomielite, também conhecida como pólio ou paralisia infantil, é uma doença causada por um vírus, chamado Poliovírus, que vive no intestino. Embora ocorra com maior frequência em crianças menores de quatro anos, também pode ocorrer em adultos. Acredita-se que a doença já existe há milhares de anos, aproximadamente 2000 anos antes de Cristo, quando uma estela egípcia – pedra erguida com esculturas em relevo ou textos; retrata um sacerdote com uma perna atrofiada.

– De que maneira ela atua no nosso corpo e quais os sintomas? Todas as pessoas contaminadas desenvolvem sintomas? Existe algum exame que constate essa doença?

Mais de 90% das pessoas infectadas pelo Poliovírus não manifestam sintomas. Quando surgem, podem ser brandos e confundir com uma gripe ou infecção gastrintestinal (febre, tosse, dor de garganta, na cabeça e nas costas, vômitos, diarreia, mal-estar). Pode causar meningite em alguns casos. Nas formas mais graves, em cerca de 0,5-1% dos casos, acontece a paralisia, que pode causar sequelas permanentes, insuficiência respiratória e, em alguns casos, levar à morte.

O diagnóstico pode ser dado pela detecção do vírus nas fezes; porém, não é feito de rotina.

–  Como ocorre transmissão e quem pode ser contaminado – zona de risco?

A transmissão ocorre pela água, alimentos ou objetos contaminados por fezes de indivíduos portadores do vírus ou doentes, ou ainda por meio de gotículas de secreções da orofaringe de pessoas infectadas ao falar, tossir ou espirrar. A falta de saneamento, as más condições habitacionais e a higiene pessoal precária constituem fatores que favorecem a transmissão do vírus.

– Após contrair poliomielite e desenvolvido os sintomas, existe tratamento?

Não existe tratamento específico para a pólio. São tratados somente os sintomas e as complicações graves da doença.

– Como prevenir? A prevenção ocorre apenas através da vacina? Quem pode/ deve se vacinar? Quem não pode se vacinar?

“A vacinação é a única forma de prevenção contra a pólio”

Todas as crianças menores de cinco anos de idade devem ser vacinadas. O esquema vacinal contra a poliomielite adotado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) é de três doses da vacina injetável – VIP (Salk), aos 2, 4 e 6 meses, e mais duas doses de reforço, aos 15 meses e aos 4 anos de idade, com a vacina oral, que são as famosas gotinhas – VOP (Sabin).

Adultos que não tenham recebido a vacina na infância podem ser vacinados.

Pessoas viajando para áreas do mundo onde existe poliomielite devem considerar a vacinação.

– É possível erradicar a poliomielite? Se sim, por que ainda não conseguimos fazer isso?

Tecnicamente, é possível erradicar a poliomielite. Desde 1988, o número de casos de pólio foi reduzido em 99,9%.

É mandatório cessar a transmissão do vírus selvagem no Afeganistão, Nigéria e Paquistão, os últimos países onde a doença continua endêmica. No Afeganistão e no Paquistão, os problemas de segurança impedem o fornecimento de vacinas. Na Nigéria, os moradores não acreditam na eficácia da vacina. Uma ampla cobertura vacinal nesses lugares é obrigatória.

Outro aspecto importante é a vigilância contínua, bastante complicada, já que apenas um em cada 100 a 200 casos de poliomielite resulta em paralisia, além do custo elevado. É necessária a certeza de que o vírus tenha sido eliminado em todos os cantos do planeta.

– Na sua opinião, por que a poliomielite “voltou” em 2018, ou seja, na era do acesso massificado a informação, em que deveríamos saber das causas/ efeitos dessa doença e principalmente da importância da prevenção?

Isso acontece especialmente pela “resistência de pais e mães em imunizar os filhos contra a doença”. Dessa maneira, a cobertura vacinal caiu de forma considerável, principalmente nos últimos dois anos. A meta do Ministério da Saúde do Brasil é vacinar contra a pólio 95% das crianças com menos de 5 anos; em 2017, a cobertura foi de 78%.

Com o sucesso das ações nos últimos anos, existe a falsa sensação de que não há mais a necessidade de se vacinar. Além de não ver mais casos de pólio, já que não temos casos no Brasil desde a década de 80, os pais infelizmente desconhecem a importância e benefício da vacina. Não sabem que a doença pode voltar se as crianças não estiverem protegidas, já que ainda temos casos da doença no mundo.

Mas esse problema não se restringe à pólio. Acontece também com outras doenças preveníveis com vacina, como sarampo, rubéola e difteria.

– Quais informações mais absurdas que você já viu sendo disseminadas sobre o tema?

São várias as notícias falsas, fake news, relacionadas às vacinas, como: “Vacina da pólio mata”, “A vacina é a causa dos casos mais recentes da doença”, “Pessoas tomaram vacina contra a pólio contaminadas com um vírus que causa câncer”, “A vacina deixa o vírus mais forte”.

Não acreditem em nenhuma dessas afirmações!

– O que os rotaractianos podem fazer, na sua opinião, com intuito de melhorar esta realidade?

Os rotaractianos podem atuar como importantes disseminadores de informações à população, especialmente nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, sobre os benefícios da vacinação.

Outra estratégia interessante diz respeito à busca pela adesão da população alvo, através de parcerias com instituições de ensino.

Durante a Campanha Nacional de Vacinação, neste mês de agosto, os Rotaract Clubs devem unir-se aos Rotary Clubs na adoção de postos, apoiando suas ações e avaliando as dificuldades em acessar a comunidade ao seu redor.

“Somente com a conscientização e a mobilização da sociedade será possível atingir a meta de 95% de crianças vacinadas”.

Conteúdo Produzido por Gabriela Lamb | Redatora da Rotaract Brasil

 

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