Pólio: Empatia e Luta!

Começo esse texto com uma confissão: foi muito difícil para mim escrevê-lo! E essa dificuldade pouco tem a ver com o meu desconhecimento técnico e científico sobre a poliomielite, porque aprendi muito com a matéria “Vamos falar sobre polio?”(https://bit.ly/2QSLRmW) . Foi difícil escrever esse texto, porque me dei conta de como sou privilegiada.

Privilégios são condições especiais, de vantagem, que algumas pessoas possuem em detrimento de outras. Não ser portadora de poliomielite me torna privilegiada, porque, infelizmente, essa doença persiste, apesar de todos esforços para sua erradicação.

Por não viver a realidade da poliomielite, eu não tinha condições de escrever com propriedade esse texto. Por isso, entrevistei a Sara, para que ela contasse um pouco sobre como é conviver com a pólio.

Mas, antes de falar da Sara que, já adianto, é uma pessoa fantástica, precisamos trocar uma ideia sobre empatia. Para que o Rotaract seja, de fato, uma escola de líderes, a empatia deve ser a matéria principal nessa escola, porque é ela a competência indispensável de todo líder. Através da empatia, somos mais criativos, inovadores e temos um pensamento sistêmico. A empatia é a capacidade que nos permite entrar no mundo do outro!

Agora, faço um convite a vocês para entrarmos no mundo da Sara.

A Sara tem 59 anos, é formada em Secretariado Executivo (PUCRS), trabalha na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), tem dois filhos, reside em Bagé/RS e foi diagnosticada com poliomielite quando tinha cerca de dois anos e meio de idade. Perguntei para a Sara se ela se lembrava de como descobriram que ela havia contraído a pólio, tendo ela respondido: “Estávamos jogando no quarto dos meus pais (eu, meu irmão, minha mãe e um vizinho), meu pai estava na casa de um amigo. Jogávamos uma bola por cima da cama e de repente a mãe perguntou por que eu estava usando só um braço; eu teria respondido que não conseguia mexer. Segundo ela foi ver se eu estava com febre e já pediu que chamassem meu pai. Ela conta que eu ardia em febre”.

Após o diagnóstico, a Sara foi hospitalizada por um bom tempo e fez tratamento até a sua adolescência. Atualmente, ela pratica RPG para aliviar a dor que sente constantemente, 24 horas por dia na verdade. Ela não pode fazer nenhum tipo de esforço físico, pois sofre com dores na cervical e omoplata esquerdo, o que traz dificuldades até para escrever. Mas a principal dificuldade que a Sara tem que enfrentar é a falta de acessibilidade.

Questionei ela sobre como o Rotaract poderia contribuir nesse cenário e ela me disse que o foco deveria ser a conscientização: “As pessoas não têm ideia do que é ter uma deficiência física neste país. E o vírus não escolhe se vai para a casa do pobre ou do rico. Todos estão sujeitos”.

Mas, mesmo vivendo nessa realidade difícil, apesar da Sara ter enfrentado muito preconceito e ter que conviver com a dor física também gerada pela poliomielite, ela consegue tirar uma lição de tudo isso e ver o lado positivo: “Aprendi a respeitar mais as pessoas e a entender que não sou melhor que ninguém, mas também não sou menos”.

A partir da história da Sara, podemos exercer a empatia para tentar entender e sentir como é viver a sua vida. Mas, de nada adianta imaginarmos e sentirmos a sua dor se não fizermos nada a partir disso, se não construirmos as transformações que a Sara acredita que a gente pode construir.

O privilégio de não conviver com a pólio nos traz o dever de lutar contra essa doença!

 

Conteúdo Produzido por Gabriela Lamb | Redatora da Rotaract Brasil

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